Você como sempre, tinha me deixado no meio
da noite, indo fazer companhia à janela, aos amigos, às luzes da cidade,
a si mesmo. Eu não sei. Qualquer coisa que fosse um pouco distante de
mim.
Minha relação com o universo masculino. Minhas delícias. Meus desejos. Minhas frustrações.Minhas andanças. Meus desafetos.Meus amores. Minhas paixões e meus disfarçes. Só mais um..
quarta-feira, 22 de agosto de 2012
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
E mais uma vez, eu abri uma página sua de uma rede social e fiquei olhando sua foto. Como eu já sorri olhando praquilo, você não tem idéia. Mas das últimas vezes, infelizmente não era sorrindo que eu olhava, era com desânimo, tristeza, dor, angústia, incertezas, com saudade e mágoa misturadas. Por que você tinha que morrer? Por que você tinha que matar tudo que eu insistia em sentir? Me obrigar a morrer também. Me obrigar a fingir estar viva pra todo mundo. Me obrigar a não chorar, quando tive vontade de chorar um oceano. Vontade de te esmurrar, te dizer que você é um idiota, um babaca, um cretino, um fraco, nunca passou disso. Nunca passou só de uma vontade que ficava só na vontade. Porque nada disso era real. Eu te Amava. Mas você raramente me surpreendia. Mas eu não consigo deixar de pensar em você, a cada dia, a cada ato meu. A cada lembrança, cada lágrima que mais parece uma súplica de quem implora por socorro. E quando eu procuro outras pessoas pra desabafar, eu procuro imaginando você me vendo. E tendo ódio de mim. Porque eu quero que sinta ódio. Porque ódio significa alguma coisa, e é melhor que indiferença. Apesar de que eu sinto o tempo todo indiferença da sua parte. Você que já foi tudo, já foi minha esperança, foi meu futuro imaginado, meu sonho, meu menino, meu amor. Hoje eu quem não sou quase nada pra você. Não passa de uma foto numa rede social. Se eu vivo bem sem você, por que eu continuo te olhando? Por que eu sempre volto aqui? Porque eu ouço músicas que falam de tristeza? Por quê? Eu não mereço isso. Mas eu faço. Eu continuo fazendo. Como uma cerimônia de luto, eu sigo a risca. Mas acontece que você não morreu de verdade, do jeito que eu quase sinto um luto. Você está ai vivo, vivendo sua vida, fazendo suas coisas, tranqüilo, sem sentir minha quase falta, sem olhar minha foto em rede social. Porque eu não consigo? Porque você não podia ser alguém? Eu esperei muito de você, sim. Eu só não esperei quase nada, eu entendi tudo, eu entendia o que ninguém entenderia. Eu respeitei, no possível que eu conseguia. Eu fiz quase como você quis. Tudo. Eu me anulei. Eu deixei de me amar, pra todo meu amor ser só seu. Eu voltei atrás. Eu chorei, eu pedi desculpas, eu aguentei besteiras. Aguentei tudo. Ajuntando do chão, migalhas do seu carinho, migalhas do seu amor. Restos implorado de compaixão. Do seu jeito explosivo e calmo. Um dia me amando como se a terra fosse acabar depois da meia noite. No outro dia um desconhecido me pedindo para ir embora para sempre, por favor. Você é meu personagem favorito. O dono de todos os meus textos, de todas as minhas histórias. O dono da franjinha do meu cabelo. E eu tenho que dizer isso agora, só pra uma foto numa rede social. Porque eu morri na sua vida. Você pediu demissão, seu cargo era o de presidente, era membro honorário do conselho, tinha tapete vermelho e eu me vestiria até de secretária se te agradasse. E você pediu demissão, sem aviso prévio nem nada. Me diz agora? Como viver bem? Como sobreviver, sem essa ponta de angústia? Eu sou feliz quando penso no teu amor que tive . Mas eu sou infeliz demais, quando penso em você e lembro que não é mais meu. Quando penso no que poderia ser, no que poderia ter sido. Eu sei que não dá. Eu nem quero que dê. Não quero mais. Mas não sei o que fazer com esse nó. Vai passar né? Eu sei. Com o tempo eu não vou mais olhar sua foto, nem sofrer, nem pensar o quanto é infeliz tudo o que aconteceu. Tomara que passe logo. Porque a vontade de te ressuscitar, me domina o dia inteiro, por todos os dias.
Estar sozinho é engraçado, angustiante,
libertário e triste, tal qual estar com alguém. No entanto, estar
sozinho é absolutamente o oposto de estar com alguém. Estar sozinho é
fechar as mãos no nada quando se atravessa a rua correndo e não se tem
uma mão para segurar. É acordar sem saber o que será do dia porque
planejar sozinho dá preguiça. É falar a coisa mais engraçada do mundo
para alguém que
não vai rir, porque
ninguém te entende tão bem. É ficar louca sem cúmplice. Não tem graça
ser fora da lei sozinho. É querer contar tanta coisa para alguém, mas
para quem? A vida simplesmente acontece para quem está sozinho, às vezes
sem que a gente perceba, pois é mais fácil ter noção de si mesmo
através de outra pessoa. Estar sozinho é fazer dengo sozinho na cama,
sem ninguém para apenas encaminhar o ombro um pouco mais perto. É comer
doce demais porque sua boca precisa de um incentivo para continuar
salivando vida. É comer doce demais porque estar sozinho dá uma
tremedeira estúpida de hipoglicemia. É o doce que substitui mal e
amargamente o amor. Estar sozinho é dormir até tarde no domingo. Não
para congelar o tempo na alegria, mas para fazer de conta que o tempo
não existe. É conviver com a ansiedade de que você pode encontrar alguém
especial a cada esquina, então você tenta ficar bonita. Mas seus olhos
não mentem o cansaço da espera e a tristeza de estar solta, e você fica
feia. É ter a sensação de que ninguém te olha, pelo menos não como você
gostaria de ser olhada. Estar sozinha é estar solta e, no entanto, é
estar amarrada ao chão porque nada te faz flutuar, sonhar, divagar.
Estar sozinho, ou estar sozinha, pode acontecer com qualquer um. E você
torce para que aconteça com a sua melhor amiga, não com voce. Estar
sozinha é não suportar ouvir a palavra solidão porque ela faz sentido. E
o sentido dela dói demais. Estar sozinho é ter uma risada nervosa, de
quem segura um grito e um choro enquanto ri. Um riso falso para se
convencer de que é possível ficar sozinho sem ficar deprimido. Estar
sozinho é usar roupas provocantes sem se sentir sexy com elas. É
conferir a caixa de e-mails com uma freqüência que beira a compulsão. É
chorar do nada. É acordar do nada. É morrer de medo do nada que fica no
estômago. Estar sozinho é uma coisa física, ou melhor, é a falta dela.
Você se sente oco por dentro, por isso aquele respiro profundo de
lamentação. É cogitar enlouquecer. O ombro pesa porque é tenso ficar
sozinho. E porque não tem ninguém pra te fazer massagem também. Quando
chove, venta, escurece, e você está sozinho, você lembra de Deus e do
quanto é pequeno. Estar sozinho é se aproximar de Deus por piedade
própria e não por agradecimento, que é o que nos faz aproximar Dele
quando estamos amando. Estar sozinho é detestar ficar em casa. Ficar em
casa sozinho, quando se está sozinho, é muita solidão. Então você sai,
só para não ficar em casa sozinho. E descobre o quanto você é sozinho. E
volta pra casa sozinho, e chora vendo fotos. Estar sozinho é implorar
paixão e loucura com um olhar para o carro ao lado, segundos antes de
você ver que ele não está sozinho. É trabalhar para passar o tempo e só
conseguir escrever títulos, roteiros, spots e textos chatos, sem
inspiração. É andar por aí com cara de louco. É estar pronta para algo
novo e não agüentar mais dias iguais.
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