quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Eu ouvi.
Doeu.
Fingi que tudo bem.
Mas depois chorei.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

O telefone não toca. E não é voce. Antes de qualquer ensaio de sofrimento à toa, advirto:
Ainda não é o sentimento do desprezo. É o efeito da pane telefônica com o nono número dos telefones de São Miguel do Oeste.
Consolação preventiva à parte,  é o domingo que pega.
Repito e repito: É o domingo que dói como um gol contra aos 47 do segundo tempo.
O sábado é uma ilusão, como dizia a psicóloga.
O sábado, creio, é uma ressaca cantada de véspera.
O sábado é um embalo de desespero para corações solitários. Seja com um brega na radiola ou seja com um Sonic Youth.
O sábado é uma baixaria, um sábado bêbado e desajeitado. A tentativa de um sorriso que não cola, não ajusta, não molha.  As pernas também não se entrelaçam. O drama do entrelaçamento das pernas. Um desastre, um teatro de amadores.
O sábado é um arrependimento.
O sábado é um jantar fino entre casais – essa gente que janta, que ama jantar fora e pagar caro por um chéf qualquer de grife.
O sábado é apenas a ressaca mais óbvia que sentimos agora e nos faz odiar aquele almoço previsto para a casa da sogra.
O domingo, não.
O domingo pega.
Principalmente para quem perdeu o amor há pouco tempo. Como dói o almoço domingueiro nestas ocasiões. Nem vale um almoço. A este tipo de solidão a gente alimenta com miojo ou com a pizza gelada da tentativa amorosa que o sábado prometera e não cumpriu o delivery.
Domingo dói como aquele golzinho fanhoso que ouvimos no rádio do porteiro.
Melancólico como aquele operário que põe só os olhos de fora na janelinha de compensado de mais um prédio em construção.
O domingo é um perigo. Você pode cair na fraqueza e ligar para ele. Que roubada. Justamente ele que talvez já está dando belas risadas na sobremesa. Sim, eles estão pagando a conta e vão ao cinema.
O domingo é a grande prova.
Acordar cedo e capotar antes de escurecer, liquidar logo a ideia de um arrastado e tenebroso domingo.
Tudo para não chegar acordado àquela hora em que ecoa no prédio a musiquinha do Fantástico.
Claro que existem os anormais, os destemidos e saudáveis que aproveitam o dia, vão ao parque, sorriem bonito, fingem que não sentem as formigas da existência provocando calombos do tédio e da ideia de finitude.
Para os desprotegidos desses escudos, o bicho pega, o vira-lata domingueiro morde a canela.
No começo de namoro o santo domingo consegue até ser o dia mais incrível. Óculos escuros, mãos dadas, todo mundo lindo, a única dúvida existencial é escolher o lugar do almoço.
No fim do amor, nuestra madre, nos endomingamos tragicamente. Nos pegamos, na forma mais maluca do mundo, torcendo pelo dia seguinte.
Só dois tipos de criaturas conseguem essa maluquice de não ver a hora de chegar a segunda-feira: Os que estão arrasados pelo apocalipse amoroso; Os casados que têm amantes na firma.

domingo, 12 de agosto de 2012

Permita-me desfalecer enquanto falo sobre coragens que não tenho. Deixe-me ficar quando não houver mais disposição para ficar. Aceite minhas falhas que hoje me definem e me limitam, mas diga o que for preciso pra me corrigir. Deixe-me chorar pela incompletude desses dias que não passam, mesmo que seja bobagem, mesmo que minha solidão seja infundada e incompreensível. O telefone não toca e se você não conhece o desespero do silêncio, apenas aceite.
Eu ando sorrindo mentiras por aí. Fazendo novos eus, para ver se você se apaixona novamente por mim, como se só houvesse possibilidade de ser verdade ao lado de alguém. É coisa de gente que se ilude, eu sei, gente que espera o aval de outras pessoas para ser feliz. Mas é que me dá um aperto, uma angústia. Você sabe do que eu estou falando, aquele sentimento que a gente tem quando todo dia é segunda-feira, quando o arrependimento invade o peito. Eu espalhei muito sorriso à toa, pra ver se um deles te prendia. Não funcionou. Mas ainda tenho alguns guardados, chorosos, quase desistentes, quase sem motivo, esperando valer à pena escapar pelos olhos.
Falta-me a consciência de amar. Sobra-me o medo de ser mal entendida. Tenho limitações bobas que não se explicam com definições certas, palavras existentes. Tem um dicionário inteiro de termos ainda não criados para falar sobre mim, sobre o que eu sinto. Não sei o que, não sei o motivo, não sei como. Não explico, me importo, me machuca. Apenas sou. E isso tem que bastar.
Você me pergunta se eu não vou mudar algum dia. Eu tento. Tenho um coração cheio de dor ou amor. Se você não consegue ouvi-lo é porque não sabe que faz ele bater enquanto espero sua ligaçao, uma mensagem qualquer ou o momento de te ver novamente. Me provoque, me ofenda, brigue comigo, mas não me deixe presa no comum. Não permita que a dor silencie meu coração.


Te Amo.
Os risos forçados que geram lágrimas no travesseiro, as danças vazias que geram um vazio ainda maior. Os finais de semana que doem o resto dos dias. A mentira que preenche de ar o que devia ser companhia. A amargura que cresce rancor por coisas pequenas e afáveis dos que são capazes da felicidade.
Porque o momento em que eu sei exatamente o que fazer ou onde ir é o mesmo momento em que tento, desesperadamante, fazer o oposto
Escrever virou um vício. Um alivio que as lágrimas nao dao. Frases soltas, textos longos, nadas escritos só pra existir. Se eu não registrar, uma parte de mim se esquece. Se eu parar, uma parte de mim morre.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

E essa noite, eu deitei e fiquei olhando pro céu,
tentando te procurar,
mas você nao estava lá, nem para me proteger,
nem para me cuidar e amar.
E essa noite, não te encontrei em lugar algum.